UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE NADA


UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE NADA

         Relações: Pessoas com as quais se cultiva

                                      trato de cortesia

                                         ou de amizade.

 

Eu sempre me gabei por ser amigo das minhas ex namoradas. Sempre achei legal esse sentimento de intimidade que uma relação dessas pode proporcionar. Lembro de ter conversas sobre crushs, sobre inquietudes e crises pessoais. Eu conhecia elas muito bem e me sentia nas nuvens por ainda ser útil de alguma forma. Lembro de intermináveis desabafos e áudios trocados por Whatsaap que continham segredos federais e gozava de felicidade por ser digno de recebê-los. Eu estava lá por elas e ainda estou.


As pessoas em geral sentem a necessidade de se abrir comigo ao mesmo passo que eu sinto necessidade de escutá-las. Talvez por isso eu tenha certeza de que no dia que eu assinei a matrícula para o curso de psicologia, eu assinava na verdade um contrato de reconhecimento da pessoa que eu sempre fui.


Em todos esses anos, houve somente uma vez em que alguém reconheceu o meu pedido de socorro, invés de me pedir. Atravessei minha primeira depressão há dez anos atrás e ainda me assusta o fato de que ninguém que eu considerava próximo de mim foi capaz de perceber o que estava acontecendo. Nem eu mesmo. Apesar do meu pai me visitar uma vez a cada três meses, foi ele quem reconheceu o que ninguém era capaz de enxergar. Minha namorada não percebeu, meu melhor amigo muito menos, minha irmã não se importou e nem vou mencionar a minha mãe... até porquê ela era um dos motivos para eu estar naquele estado.


Nunca entendi muito bem como as relações terminam, como as piadas perdem a graça ou como demonstrações públicas de felicidade podem ser tão mal interpretadas. O que sei é que somos todos adultos e devemos colher aquilo que plantamos. O que me mata é o silêncio como penitência, é tão inútil quanto o sistema carcerário brasileiro... ele só nos deixa pior.




O silêncio é passivo demais para poder derrubar muros.





Até um dia... Regina, Monique, Paulo, Fabi, Carlos, Camila, Guilherme, Bruna, Claudia, Laís, Carol, Lucas, Giovana, Beatriz, Ingrid, Mariana, Marcos e tantos outros que já foram muito, continuam sendo e sempre serão.







UM BRINDE ÀQUILO QUE JÁ FOI MUITO,

E HOJE FINGIMOS QUE NÃO É NADA.

COMO UM JOELHO RALADO

QUE ATÉ  PODE NOS INCOMODAR,

MAS NÃO NOS IMPEDE DE CAMINHAR.


EU SIGO REPETINDO:

NÃO É NADA DEMAIS,

NÃO É NADA DEMAIS,

É SILÊNCIO DEMAIS!

THE END

ROBERTO CRUZ