Estações

 



ventos frios numa planície aberta

carregam a vida que me resta

me acerta e me aperta

contra a pele fina de ouro que me cobre

com lágrimas de prata.


como lixo de Descartes que garimpa verdade em busca dos recursos

que escondo na prisão

que é ser algemado

às lembranças do passado.


morto e abafado, sentimento amargurado

que me assombra como um sonho ruim

onde tento sorrir

os dentes podres da boca banguela

que sou impedido de exibir.


o vento não para

me acerta e leva pra longe

todas as certezas de que

eu ainda terei consciência de mim.


tenho medo

fecho os olhos pra não ver

mas quero contemplar

as mudanças que me aguardam

depois que a primavera passar.



The End

ROBERTO CRUZ